CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1140
A sociedade estrangeira deve, sob pena de lhe ser cassada a autorização, reproduzir no órgão oficial da União, e do Estado, se for o caso, as publicações que, segundo a sua lei nacional, seja obrigada a fazer relativamente ao balanço patrimonial e ao de resultado econômico, bem como aos atos de sua administração.
Parágrafo único. Sob pena, também, de lhe ser cassada a autorização, a sociedade estrangeira deverá publicar o balanço patrimonial e o de resultado econômico das sucursais, filiais ou agências existentes no País.


 
 
 
Resumo Jurídico

Desmistificando o Art. 1140 do Código Civil: A Boa-Fé e a Responsabilidade nas Contratações Imobiliárias

O artigo 1140 do Código Civil traz um princípio fundamental para as relações jurídicas, especialmente aquelas envolvendo bens imóveis: a importância da boa-fé objetiva e a responsabilidade que dela decorre. Em termos simples, este artigo nos diz que, quando compramos ou alugamos um imóvel, precisamos ter certeza de que o vendedor ou locador nos informou tudo o que é relevante sobre aquele bem, mesmo que não tenhamos perguntado diretamente.

O que o Art. 1140 nos ensina?

Essencialmente, o artigo estabelece que o alienante (quem vende ou aluga) é obrigado a dar ao adquirente (quem compra ou aluga) toda a informação que lhe seja relevante sobre o imóvel, mesmo que não a tenha solicitado. Isso significa que o vendedor ou locador não pode esconder vícios, defeitos, ou qualquer outra condição que possa afetar o uso, o valor ou a posse tranquila do imóvel.

Pensemos em um exemplo prático: ao vender uma casa, o proprietário sabe que há um problema crônico de infiltração em um dos quartos. Ele não pode simplesmente omitir essa informação, esperando que o comprador descubra depois. O artigo 1140 obriga o vendedor a revelar essa questão, pois ela é evidentemente relevante para a decisão de compra e para o uso futuro do imóvel.

Boa-Fé Objetiva: Mais do que uma Intenção

É importante notar que aqui não estamos falando apenas da boa-fé subjetiva, que se refere à crença de que se está agindo corretamente. O artigo 1140 se baseia na boa-fé objetiva, que é um padrão de conduta esperado de qualquer pessoa em uma relação jurídica. Ela impõe deveres de lealdade, transparência e cooperação entre as partes.

Nesse contexto, o alienante tem o dever de informar o adquirente sobre:

  • Vícios ocultos: Defeitos que não são aparentes e que podem ser descobertos apenas com o uso ou com uma perícia especializada.
  • Situações jurídicas relevantes: Como a existência de hipotecas, penhoras, ações judiciais que possam afetar o imóvel, ou mesmo restrições de uso.
  • Condições de vizinhança: Fatores que possam influenciar a tranquilidade ou o valor do imóvel, como proximidade de construções barulhentas ou locais que possam gerar incômodo.

Consequências da Violação do Art. 1140

Quando o alienante não cumpre com o dever de informar, ele está agindo de má-fé e pode ser responsabilizado pelos prejuízos causados ao adquirente. As consequências podem variar, mas geralmente incluem:

  • Anulação do contrato: O adquirente pode pedir que o negócio seja desfeito, com a devolução do valor pago.
  • Indenização por perdas e danos: O adquirente pode exigir o ressarcimento dos valores gastos com reparos, ou pela desvalorização do imóvel, além de lucros cessantes (o que deixou de ganhar por conta do problema).
  • Redução do preço: Em alguns casos, o adquirente pode optar por ficar com o imóvel, mas com um abatimento proporcional ao valor dos defeitos ou problemas não informados.

Em Resumo

O artigo 1140 do Código Civil é um pilar da segurança jurídica nas transações imobiliárias. Ele reforça a ideia de que as relações contratuais devem ser pautadas pela transparência e pela lealdade. O vendedor ou locador tem a obrigação de ser proativo em informar tudo o que é relevante sobre o imóvel, protegendo o comprador ou locatário de surpresas desagradáveis e garantindo que a negociação seja justa e equilibrada para ambas as partes. Para o adquirente, este artigo é um convite a estar atento e a, mesmo diante de informações prestadas, buscar sempre a clareza e a segurança que a boa-fé objetiva exige.